A Presença Social
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A Presença Social

Ensinar e aprender online implica o estabelecimento de relações interpessoais e educacionais ou seja o estabelecimento de interacções e transacções entre os sujeitos e entre os sujeitos e os “objectos” de aprendizagem. São estas que suportam, quer a aprendizagem, quer o ensino e, que diferenciam o acto de aprender e o acto de ensinar de um acto mecânico, socialmente descontextualizado e isolado. No estudo da educação online, um dos constructos a que os investigadores têm recorrido tem sido a teoria da Presença Social, nomeadamente a teoria clássica de Short et al. (1976) que não tendo sido desenvolvida para o contexto da comunicação a distância nem para a comunicação mediada pelo computador, desencadeou uma reflexão muito produtiva por parte de diversos investigadores.

De um modo geral, o estudo da Presença Social em contextos de educação online tem sido usado de duas formas distintas: os estudos que se fundamentam em Short et al. (1976) e adoptam por isso a perspectiva de que a presença social é inerente às propriedades dos media e, aqueles que, consideram que as características dos media só por si não podem constituir o factor predominante na determinação do grau de presença social em contexto online (Gunawardena, 1995; Garrison, Anderson & Archer, 2000) referenciando-o antes, às percepções, comportamentos e atitudes dos indivíduos na interacção mediada (Gunawardena, 1995).

Gunawardena discutindo o conceito de presença social enfatiza a problemática da “consciência do outro” e define-a como “o grau em que a pessoa é percebida como uma “pessoa real” numa comunicação mediatizada“, deslocando os determinantes da presença social dos atributos do medium e da visão dos efeitos do canal de comunicação, para uma perspectiva centrada na sua natureza social e relacional. A sua conclusão de que a presença social pode ser cultivada entre os participantes contradiz a visão da presença social como atributo do medium deslocando o foco da investigação das características do canal de comunicação para uma perspectiva mais relacional dos media.

Os resultados dos seus estudos têm fortes implicações para a educação online, nomeadamente no que respeita ao desenho dos cursos e ao desenho da moderação online. Não basta esperar que a presença social se manifeste espontaneamente, devendo os professores e moderadores adquirir competências de interacção específicas dos media que permitam criar um sentimento de presença social. Segundo a autora serão estas competências e técnicas, e não as características do medium, que terão impacto na percepção do estudante sobre a interacção e a presença social. Para que tal aconteça é importante que os professores promovam o seu desenvolvimento criando, por exemplo, espaços de socialização próprios, protocolos de interacção e netiqueta e usando, de uma forma consistente, uma linguagem de afiliação que promova relações sociais e pedagógicas baseadas na confiança e na reciprocidade.