"A Compulsão para a Proximidade"
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“O problema reside na natureza da comunicação humana. Pensamo-la como um produto do espírito, mas é feita por corpos: movimentos faciais, tons de voz, movimentos corporais, gestos de mão (…) Na Internet, o espírito está presente, mas o corpo está ausente” (J.L.Locke, 2000 citado por Giddens, 2004, p. 101).
Ao chamarem a atenção para a necessidade que os sujeitos têm de se encontrarem em situações de co-presença, Boden e Molotch (1994) chegam a caracterizá-la como uma “compulsão para a proximidade”. Para estes autores a co-presença “facilita o acesso à parte do corpo que nunca mente – os olhos, janelas da alma”. Para eles a comunicação electrónica é menos fiável e mais sujeita a interpretações ambíguas, abusos e confusões do que a comunicação face a face.

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As reticências expressas num plano teórico têm evidentemente os seus correlatos no pensamento do senso comum. Quando pela primeira vez abordamos pessoas que nunca tiveram qualquer experiência de educação online, é vulgar ouvirmos exprimir dúvidas quanto à qualidade de tal experiência, dúvidas essas que se podem expressar em enunciados do tipo:

“Para mim é fundamental sentir a presença da pessoa com quem estou a falar”;

“Ouvir o tom de voz da pessoa com quem estou a falar é fundamental para perceber as reacções da outra pessoa”;

“Olhar a pessoa nos olhos é fundamental para perceber o seu estado de espírito”.


Estas afirmações farão certamente parte do reportório do senso comum que questiona as próprias condições de possibilidade da comunicação a distância e da comunicação interpessoal mediatizada.