O Sentido de Comunidade numa Turma Virtual

Utilizando a mencionada grelha de Rourke et al., Vaughan & Garrison (2005) verificaram que, com o tempo, a frequência de indicadores afectivos e interactivos diminuía mas os indicadores de coesão aumentavam. Vaughan & Garrison sugerem que os indicadores afectivos e interactivos são necessários para se estabelecer o sentido de comunidade e que só após as relações sociais estarem estabelecidas e o grupo se ter tornado mais focado em actividades direccionadas, os indicadores coesivos assumem prevalência. Isto vai de encontro aos dados de Brown (2001) que num estudo sobre o processo de desenvolvimento das comunidades online identificou três fases no desenvolvimento do sentido de pertença a uma comunidade. Na primeira fase são feitos os conhecimentos; na segunda fase, após intensas trocas de ideias, os participantes sentem que fazem parte de uma comunidade; na terceira fase, após comunicação duradoura e/ou muito intensa envolvendo comunicação pessoal, surge a “camaradagem”. Como afirmam Garrison e Arbaugh (2007):


“Do ponto de vista do conceito da presença social, estas três fases parecem corresponder às três categorias da presença social. Pode argumentar-se que a presença social evolui da comunicação aberta (interacção) para trocas com propósito académico bem definido (discurso), e finalmente, para a camaradagem. Os estudantes são primeiro desafiados a familiarizarem-se com o professor e com os outros estudantes, a seguir a regularem as suas expectativas, e depois a sentirem algum conforto e confiança e a desenvolverem relações pessoais que podem evoluir para “camaradagem” (op. cit. p. 160).


Um dos autores que mais se tem dedicado ao estudo do sentido de comunidade em ambientes online é Rovai que identifica 4 dimensões essenciais que define uma turma enquanto comunidade (cf. Rovai, 2002):

1) espírito de grupo, relativa ao reconhecimento de pertença a uma comunidade, que inclui sentimentos de amizade, coesão e ligação emocional;

2) confiança, que encerra as componentes de credibilidade e benevolência, e sem a qual o espaço de aprendizagem acaba por ser preenchido quase totalmente pela presença do professor;

3) interacção, elemento essencial para o desenvolvimento do sentido de comunidade, e que pode ser de natureza sócio-emocional ou estar relacionada com a realização de uma tarefa;

4) partilha de expectativas e objectivos de aprendizagem, que leva a que os estudantes sintam que as suas necessidades educativas estão a ser satisfeitas através da sua participação activa na comunidade e que acrescenta uma forte dimensão social à aprendizagem.