Presença Social – O Modelo da Comunidade de Inquirição


Uma outra abordagem da presença social no contexto da educação online é a de Garrison & Anderson. Definem-na como a competência dos sujeitos para se projectarem a si próprios através do mediu ou seja como “a capacidade dos participantes numa comunidade de inquirição para se projectarem a eles próprios, social e emocionalmente, como “pessoas reais” através do meio de comunicação usado”.

O modelo de Garrison e Anderson procura enquadrar a presença social no contexto da teoria da “comunidade de inquirição”. Para estes autores, a
educação online possibilita níveis de interacção elevados entre os participantes (entre professor e estudante; entre estudantes e entre estudantes e conteúdos), possuindo por isso potencialidades para expressar modelos de ensino-aprendizagem que se baseiam na interacção social. De acordo com este modelo, a aprendizagem tem lugar numa comunidade e passa pela articulação entre três pilares básicos que constituem uma espécie de arquitectura básica da experiência educacional online e que são a presença cognitiva, a presença social e a presença de ensino.

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Esta comunidade é constituída por professores e estudantes, os elementos chave do processo educacional. A presença cognitiva é um elemento vital na experiência educativa e define-se pelo facto de os participantes construírem o significado e o conhecimento através da comunicação. A presença de ensino é justificada pelo facto de a participação activa do professor ser uma componente critica em qualquer contexto educativo, revestindo-se duma importância acrescida no contexto online devido às suas características. Por isso, este é um elemento da responsabilidade do professor, embora, em determinadas circunstâncias, os estudantes assumam também uma parte dessa responsabilidade. De acordo com Anderson (2002), em primeiro lugar cabe-lhe o papel de planear e organizar as experiências de aprendizagem antes da criação da comunidade e no decorrer da actividade desta. Em segundo lugar deve conceber e implementar actividades que estimulem a interacção entre os estudantes, entre o professor e o estudante, entre estudantes individualmente, entre grupos de estudantes e entre estes e os conteúdos, ou seja cabe-lhe a função de facilitador do discurso. Em terceiro lugar o papel do professor vai mais além da moderação das experiências de aprendizagem, podendo assumir a forma de ensino directo. Cabem ainda dentro da “presença de ensino” a definição de aspectos como o equilíbrio entre actividades de estudo independente e trabalho colaborativo, as oportunidades de comunicação síncrona e assíncrona, a combinação e diversificação dos media utilizados, a avaliação das aprendizagens online, entre vários outros.


Finalmente,
a presença social refere-se ao modo como os participantes são capazes de se projectarem pessoalmente (social e emocionalmente) na comunidade, funcionando como um suporte da presença cognitiva e facilitando indirectamente o pensamento crítico empreendido pela comunidade de aprendentes. A sua conjugação com a presença de ensino possibilita que se estabeleçam níveis elevados de presença cognitiva.